Como parar de se preocupar tanto com o que as outras pessoas pensam

Você se lembra da primeira vez que ganhou um “curtir” em alguma coisa que postou no Facebook? Aquela pequena faísca de excitação foi legal, certo?

Como aplausos de pé, uma avaliação brilhante ou um comentário positivo de fãs no público, é bom receber um pouco de validação, para sentir que ganhamos o “selo de aprovação” de alguém.

E, certamente, não há nada de errado em se sentir bem quando recebemos aqueles tapinhas nas costas. Mas há um lado negro em relação a isso também. Afinal, o que acontece quando não recebemos um “curtir”? Quando a resposta do público é fria?

O que acontece com a nossa confiança?

Em maio de 2013 havia 4,5 bilhões de “curtir” sendo gerados todos os dias. Combine isso com tweets, retweets, swipes, etc., e você tem uma quantidade enorme de avaliações por aí. É provável que nunca tenha sido tão fácil na história responder ou fazer avaliações rapidamente a tantas pessoas.

E se o seu valor próprio depender muito dessa avaliação externa, isso pode ser como andar numa montanha-russa: nossa confiança e emoções subindo e descendo – de uma atualização de status totalmente ignorada ao sorriso de aprovação do nosso professor e aos comentários mistos de um público de comitê.

Pode se tornar fácil questionar a si mesmo e se preocupar constantemente sobre o que os outros estão pensando. O que o público está pensando? O que o público do comitê vai pensar? O que meu professor está pensando? O que meus amigos vão pensar?

Como interromper esse ciclo e, como e. e. cummings disse, encontrar a “… coragem para crescer e tornar-se o que você realmente é.”?

O impacto do “curtir” na autoestima

Um estudo recente de Cornell dá algumas dicas interessantes sobre a ligação entre validação externa, autoestima, e um terceiro fator que possui um papel interessante no equilíbrio da confiança.

Noventa e seis alunos de graduação participaram de um estudo para ver que tipo de impacto o “curtir” das redes sociais causa na autoestima.

Devido a descobertas em outra pesquisa, os autores suspeitaram que o senso de propósito na vida afeta o grau de instâncias fugazes do impacto da validação externa na autoestima de uma pessoa, por isso todos começaram fazendo o Life Engagement Test (Teste de Compromisso com a Vida, tradução livre) para medir o senso de propósito na vida dos participantes.

Depois disso, eles fizeram um teste piloto no site de uma nova rede social chamada “Faces of the Ivies” (parecido com o Facebook), onde criaram um perfil com foto. Cada participante foi solicitado a tirar uma selfie, e então a foto foi carregada no site (na verdade esse site não existia, nem o carregamento das fotos).

Então, o experimentador disse que a foto do perfil seria exibida por cinco minutos e, durante este tempo, os usuários teriam a chance de visualizar e “curtir” a foto. Depois de cinco minutos, eles receberam a avaliação sobre quantos “curtir” ganharam. É claro que a avaliação foi toda inventada e dada a eles de forma aleatória.

A um grupo de estudantes foi dito que eles receberam um número de “curtir” na média (27, para ser exato). A outro grupo foi dito que receberam um número de “curtir” acima da média (48). E ao terceiro grupo foi dito que receberam um número abaixo da média (6).

Após isso eles fizeram uma avaliação de autoestima.

A função do propósito

Como esperado, receber mais “curtir” realmente aumentou a autoestima. Aqueles no grupo acima da média tiveram uma pontuação de autoestima maior do que aqueles na média ou abaixo da média.

Mas aqui é onde as coisas ficam interessantes. Receber um número alto de “curtir” apenas aumentou a autoestima daqueles que tiveram pontuação mais baixa no propósito de vida. Estudantes com um senso maior de propósito de vida não mostraram grandes mudanças na autoestima, mesmo depois de receber muitos “curtir”.

É quase como se o propósito servisse de escudo, ajudando o senso de estima dos estudantes a se separar da opinião dos outros. Ter objetivos importantes a longo prazo e atividades valorosas ajudou a cultivar um senso de valorização pessoal que era menos dependente da opinião dos outros.

Tome uma atitude

A diferença de alguns “curtir” na foto de perfil de uma pessoa e fazer uma performance ruim são duas coisas muito diferentes, mas e se cultivar um senso bom de propósito na vida pudesse ajudar a nos tornarmos mais resilientes diante dos altos e baixos na vida artística? E se essa for uma forma de nos ajudar a sermos menos afetados pela validação externa (ou a falta dela) que recebemos todos os dias, de mantermos nosso olhar no panorama completo, e o nosso foco no caminho certo, mesmo naqueles dias quando é mais fácil sermos nosso pior crítico do que nosso maior apoiador?

E como podemos encontrar nosso propósito, exatamente?

Esta é uma questão que vai além do alcance desta postagem, mas existem muitos artigos on-line que promovem a reflexão, como este, e mesmo uma lista de reprodução do TED para percepções sobre propósito de vida e inspirações.

E, como o propósito é um componente importante da perseverança e ”garra”, existe um capítulo inteiro devotado à pesquisa sobre propósito, no livro recente de Angela Duckworth sobre determinação (Garra: O Poder da Paixão e da Perseverança).

Ultimamente, enquanto não existe uma fórmula perfeita para cultivar o senso de propósito de alguém, parece ser uma boa ideia olhar a intersecção entre a) as coisas que você tem paixão, b) as habilidades que você gosta de utilizar, e c) a visão de como você pode tornar melhor a vida dos outros, de forma que isso tenha algum significado pessoal a você.

E não precisa ser uma busca que mudará a história, como a paz mundial. Pode ser alguma coisa que você sequer percebe que possui um impacto especial.

Como o quê?

Geralmente já fico zonzo de sono antes que qualquer programa tardio passe na TV, mas assisti à primeira noite do The Tonight Show com Jimmy Fallon. Seu convidado era o ator Will Smith, que disse uma coisa que acredito ter a ver com música tanto quanto com atuação, ou qualquer arte performática.

E o que é mais importante é “continuar amando as pessoas”. Para assim se lembrar de que a arte não é sobre nós ou nosso ego, mas uma forma de fazer uma contribuição às outras pessoas. “Para ajudar as pessoas a atravessar o dia”, e “ajudar suas vidas a serem melhores e mais iluminadas”, como disse Smith. Ou, como Fallon percebeu, fazer o que ele podia para que seus telespectadores pudessem ir para a cama com um sorriso, não importa o quão difícil tenha sido o seu dia.

Eu nunca havia pensado sobre o The Tonight Show daquela forma. Mas imagino que mudaria sua abordagem no trabalho, quando sua visão e propósito para o que você faz é assim. Você já refletiu sobre propósito? Como definiria isso para si mesmo?

Texto original por:
Noa Kageyama
(http://www.bulletproofmusician.com/how-to-stop-worrying-so-much-about-what-other-people-think/)

Crédito da foto:
CollegeDegrees360 via Visual Hunt / CC BY-SA